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100 Dias que abalaram a Nação – Parte 2

Postado em Coluna do leitor,Colunas | Thursday, 18 de April de 2013

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Texto publicado originalmente por por Walter Monteiro; JEFF – Jorge E F Farah no Magia Rubro Negra

A melhor demonstração pública da mudança de atitude no Departamento de Futebol vem do relatório de 100 dias apresentado por sua vice-presidência: sem rodeios, Wallim Vasconcellos admite que o desempenho recente do time foi “pífio e inaceitável”, prometendo que tomará medidas para que isso não volte a acontecer”.

O comportamento padrão do dirigente em tempos de insucesso é procurar bodes expiatórios que possam ser acusados pelo fracasso – como antecessores no cargo, arbitragem, gramado e afins. A sinceridade de Wallim sinaliza que os tempos realmente são outros. Aprender com os erros é a melhor forma de evoluir em busca de um êxito perene.

Apesar dessa esperança renovada, acreditamos que a condução do futebol nesse início ficou aquém do que se esperava.

O conceito de profissionalismo que defendemos pressupõe a delegação integral do poder decisório ao executivo contratado, mas não parece ser isso o que está acontecendo no Flamengo.

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O VP nomeado, representando o Conselho Gestor, dá seguidas entrevistas sobre montagem do elenco e chegou a comparecer ao CT para cobrar o elenco. Isso deixa dúvidas sobre quem realmente comanda o departamento: o diretor contratado não parece ter a mesma autonomia que, por exemplo, José Carlos Brunoro tem no Palmeiras.

É compreensível que a diretoria possa hesitar se deve realmente implantar um profissionalismo radical e definitivo no departamento mais sensível logo de início. Ocorre que é justamente ali que se deve evitar que a diretoria eleita interfira, para que as emoções naturais do coração torcedor não contaminem a tomada de decisão.

Em nossa visão, o profissional contratado, estava longe de ser a melhor opção disponível para ocupar o cargo. Em seu relatório, Wallim Vasconcellos fez questão de destacar que Pelaipe seria um profissional com 35 anos de experiência em vários clubes, sendo os últimos Corinthians e Grêmio. Infelizmente, não é bem assim.

Paulo Pelaipe foi, a vida inteira, ligado ao Grêmio, como torcedor e associado. Chegou à direção de futebol apenas em meados da década passada e de lá saiu em abril/2008. Logo depois foi contratado pelo Fortaleza, onde teve uma curta passagem, entrando em janeiro e saindo em março de 2009. Voltou ao Grêmio em agosto de 2011 e de lá saiu no fim do ano passado, com a mudança da diretoria. Ele esteve no Corinthians? Bom, não há registros conhecidos de sua presença por lá, nem ele nunca comentou o fato em suas muitas entrevistas. Se esteve, não ocupou nenhum cargo de destaque

Portanto, tirando a experiência do Fortaleza (cuja breve passagem ficou marcada por contratações questionáveis, dentre as quais Rodrigo Mendes, aquele mesmo), a carreira de Pelaipe como executivo profissional começou para valer no Flamengo. Daí a nossa reserva inicial quando de seu anúncio, uma vez que a torcida era por alguém com uma bagagem mais robusta.

Apesar disso, é necessário reconhecer que Pelaipe tem sido um dirigente com atitudes bem mais adequadas do que em seus tempos de Grêmio, quando era conhecido pela impetuosidade e excessos verbais (tanto que chegou a ser preso no Engenhão acusado de ofender um segurança do Flamengo com expressões racistas). O Pelaipe atual é discreto, solícito nas entrevistas, sereno nas declarações.

Dentre outros feitos, Pelaipe foi responsável, a nosso ver, por uma medida decisiva para o futuro do Flamengo: a montagem de uma área de acompanhamento de atletas e desempenho de adversários, a cargo de Rafael Vieira, que veio da CBF (e antes tinha passado por Corinthians e Grêmio, sempre acompanhando Mano Menezes).

A partir de uma extensa base de dados digital, com informações sobre atletas do mundo inteiro, a decisão de contratar um jogador tende a ser mais “científica”. Em paralelo, o setor ainda municia a comissão técnica com informações sobre padrões de comportamento dos times adversários, para auxiliar no desenho tático de cada partida.

É intrigante que uma intervenção tão notável não tenha sido mencionada pela VP de Futebol no relatório de suas realizações. Provavelmente porque é um trabalho silencioso, que só rende resultados em médio prazo, mas sobre o qual vale o registro, dado que acreditamos muito nas suas contribuições ao clube.

A parte mais crítica desses 100 dias tem a ver com a montagem do elenco. De um modo geral, a análise padrão tende a creditar o mau desempenho do time na 2a metade do campeonato carioca a um esforço de contenção de despesas, que impediria a contratação de estrelas.

Discordamos dessa análise.

O Flamengo projetou um orçamento para o seu departamento de futebol de R$ 97 milhões – grosso modo, pouco mais de R$ 8 milhões por mês. Esse orçamento posiciona o time entre as 10 maiores folhas de pagamento do país.

Em que pese a herança de contratos de atletas com alta remuneração vindos da antiga gestão (casos, por exemplo, de Ibson e Alex Silva), a nova direção, segundo informações publicadas pela imprensa, estaria gastando R$ 1,25 milhão com apenas 5 atletas, contratados ou com contrato renovado nesse primeiro trimestre: Carlos Eduardo, Elias, Gabriel, Renato Abreu e Hernane.

Portanto, nesses primeiros 100 dias a opção não foi por apostar em jovens promessas ou atletas desconhecidos. Ao contrário, a diretoria escolheu investir em jogadores que pudessem assumir a titularidade e dar uma resposta imediata. O drama é que esses atletas estão rendendo abaixo da expectativa e consumindo uma fatia significativa do orçamento.

Isso torna ainda mais crítica a decisão de novas contratações. Por um lado, o clube precisa se reforçar em muitas posições, para algumas sequer há reservas. Por outro, boa parte do orçamento para atrair jogadores de qualidade já foi comprometida com esses jogadores cujo rendimento não vem correspondendo. Logo, o clube precisará ser bem mais efetivo na contratação de novos jogadores e ser mais cauteloso na definição, fugindo de apostas altas em atletas de bom potencial e alta remuneração, para não repetir os erros de Carlos Eduardo e Elias, que ganham muito sem conseguir apresentar, ao menos até agora, uma performance consistente.

A substituição do treinador, muito criticada no que se refere ao timing de execução, nos pareceu uma decisão acertada da diretoria. Se o contrato previa uma redução substancial da multa rescisória a partir de março, esperar 2 meses era o que de melhor se podia fazer.

A contratação de Jorginho também tinha tudo para ser uma boa escolha. O início confuso e atabalhoado de Jorginho foi algo imprevisível e até inexplicável, mas, paciência, nada há para ser feito por agora. Desde que reconheça seus erros e corrija os rumos de seu trabalho, Jorginho tem tudo para melhorar e repetir, no Flamengo, seus acertos na Seleção e no Figueirense.

Noves fora os dissabores recentes, o que realmente anima a torcida é a disposição dos novos comandantes em acertar e de não colocar suas vaidades e interesses pessoais acima das demandas do clube. A confiança da torcida de que tudo vai dar certo é quase irrestrita e isso ajuda bastante.

Nossos votos são para que os desastres recentes não alterem absolutamente nada no propósito inicial. Passado o susto inicial pela contratação de Paulo Pelaipe, nosso desejo é para que ele permaneça e conquiste ainda mais autonomia, assumindo de vez o comando do departamento de forma plena. E que o clube siga firme em seu propósito de montar uma equipe de acordo com nossas possibilidades financeiras (que ainda são relativamente extensas), tendo mais precisão na hora de atrair novos talentos.

Veja também a primeira parte deste artigo

Veja também a terceira parte deste artigo

Veja também a quarta parte deste artigo

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