
Finalmente os arrastados estaduais se encerraram pelo país. Ano após ano assistimos a um verdadeiro show de incompetência, deixando nossos estádios cada vez mais vazios e com uma questão que ainda não conseguimos resolver. Para que realmente deveriam servir os campeonatos estaduais?
Após mais uma edição desastrosa, onde tivemos uma média de público no Carioca de míseras 2 mil pessoas, pera aí que vou repetir… 2 mil pessoas!! Alguma coisa precisa ser feita. Não dá mais para deixar como está. Principalmente por todo o potencial e apelo do futebol nesse período histórico que o país atravessa. Até hoje escutamos nas ruas e nos jornais histórias da Copa de 50. Ou seja, daqui a 100 anos, o mundo ainda vai comentar e lembrar com saudosismo esse momento que estamos atravessando.
A torcida está carente de futebol. O problema não é desinteresse, longe disso, o problema é falta de produto. Não tem. São times sem graça, de baixíssima qualidade técnica em estádios caindo aos pedaços com campos que muitas vezes marcariam até o Messi, que dirá o Hernane.
Eu entendo os amantes dos regionais, são campeonatos extremamente tradicionais, disputados em uma época onde não era tão prático e viável realizar competições maiores. Fazendo com que a rivalidade do título local valesse muito mais do que nos dias de hoje. É difícil imaginar uma temporada brasileira sem o estadual. Por isso não acho que devemos acabar com os torneios, mas sim remodelá-los para que cumpra o seu verdadeiro papel atual. Ser uma fase final de preparação para a temporada do clube.
Eu não vou entrar no mérito dos problemas do nosso calendário (isso é assunto para outra coluna), mas com exceção aos times que participam da Libertadores, a temporada se inicia somente agora. No meio do ano. Um completo absurdo. O Campeonato Carioca deveria ser um torneio de preparação, podendo até manter a fórmula atual, contando com diversos mata-mata e possíveis clássicos, mas com muito menos time.
Os pequenos que já iniciam sua preparação no final do ano anterior, poderiam realizar uma primeira fase eliminatória, que manteria os clubes em atividade e trabalharia na formação de novos talentos. Dessa eliminatória sairiam 4 times para se juntar aos grandes na fase principal do torneio. Dois grandes e dois pequenos para cada lado, fazendo que na Taça Guanabara cada grande jogasse contra dois pequenos e um clássico antes das semifinais quando os times ainda estão em ritmo lento e na Taça Rio dois clássicos e um pequeno, quando já estão mais preparados e completos.
Com isso os clubes teriam uma pré-temporada qualificada, com mais tempo para preparar seus principais reforços (normalmente contratados no começo do ano), utilizando seus jogadores titulares em um torneio com grande público, bons estádios, competitivo e rápido. Iniciando o Brasileiro (que deveria ter seu início antecipado) e a fase de mata-mata da Libertadores na ponta dos cascos e prontos para os principais desafios do ano.
O Flamengo em sua condição de peso e importância deveria liderar um movimento urgente de reformulação no modelo do Estadual, principalmente por ser um dos que mais deixa de ganhar com a atual formula esdrúxula. Já que em um jogo disputado em Juiz de Fora pela Copa do Brasil contra o timaço do Campinense faturamos mais do que em TODO o Carioca desse ano(364 mil contra 247mil), e no que dependermos de José Maria Marin (Presidente da CBF) ou Rubens Lopes (Presidente da Federação do Rio), pode ter certeza de que nada vai mudar.
Esse ano precisa ser o nosso fundo do poço, e daqui, a única coisa que nos resta é subir.
Um forte abraço Rubro-Negro
Guetto Maia